segunda-feira, 6 de abril de 2015

O vexame do Acquario Ceará: a contrapartida paga para um empréstimo que não existe

Os deputados estaduais Carlos Matos (PSDB) e Renato Roseno (Psol) ficaram insatisfeitos com os esclarecimentos feitos pelo governo do Estado acerca da polêmica obra do tal Acquario Ceará, segundo matéria do O Povo. A dupla reclama da falta de detalhamentos e de dados desatualizados. O deputado Audic Mota (PMDB) também critica cláusulas do contrato que estariam sujeitas à variações cambiais.

Um ponto levantado por Matos merece destaque. É que a obra começou a ser construída antes que o financiamento obtido junto ao Eximbank fosse avaliado e liberado pelo Senado. Caso não seja aprovado até novembro, o empréstimo será cancelado. Mesmo assim, o Tesouro estadual já enterrou US$ 45 milhões no aquário sem água.

Diante disso, a pergunta óbvia é: como diabos iniciam uma obra pública sem confirmar o financiamento? Se fosse um prédio residencial, os moradores estariam na rua com a obra inacabada.  Segundo o governo, a ideia seria evitar atrasos. O problema é que a conclusão do empreendimento, prevista 2014, foi adiada 2017.

Entre o ruim e o muito ruim, escolheram o ruim e ficaram com o muito ruim
Certa feita, ao comentar o pacto entre Inglaterra, França e a Alemanha nazista, ainda em 1938, Churchill disse: “Entre a desonra e a guerra, escolheram a desonra e terão a guerra”.

Descontadas as diferenças históricas e de relevância política, no Ceará, em 2015, entre a pressa e o prejuízo, escolheram a pressa e tiveram prejuízo. Sim, porque a obra está parada e atrasada, situação que gera perda financeira, especialmente com o dólar subindo. E só para fazer justiça, não faltou quem avisasse que a obra, cujo orçamento e utilidade são questionados por muitos, não poderia ser feita assim no atropelo.

Pode ser que o empréstimo seja aprovado? Sim. Mas também pode ser que não. Escolhas mal feitas são assim: ficam por conta da sorte.

Blog do Wanfil

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