segunda-feira, 27 de abril de 2015

Partidos se desconectam do eleitor e Internet vira parlamento

A presidente Dilma Rousseff avalia se fará na próxima sexta-feira o tradicional pronunciamento de 1º de maio. Teme haver um novo panelaço virtual convocado pela internet e que se materializa com o liga-desliga de luzes nas cidades e pessoas batendo panelas nas varandas.
No país em que os partidos estão cada vez mais reduzidos a atividade meramente congressual, que poderia também se dizer dedicados a seus interesses burocráticos, a desconexão entre os objetivos partidários e os anseios da sociedade ficou tão grande que já tem cientista político achando que a internet pode se tornar o único canal de conexão efetivo entre o governo e a
sociedade.
De tal forma que o que a onda de menções no Twitter, Facebook, Instagram e Linked-In seu tornariam tão efetivas que seria melhor o governo “filtrar” o que a sociedade deseja primordialmente e assumir essas bandeiras que de tão representativas obrigariam os partidos a serem forçados a referendá-las.
Naturalmente, e felizmente, estamos longe de uma sociedade governada por uma Democracia Digital Direta (sempre passível de manipulações cibernéticas e de robôs de cliques), mas o alerta sobre a fragilidade do Parlamento e sua desconexão com a sociedade é oportuno.
O problema não é a presidente da República, com apenas 120 dias de governo, não poder se dirigir aos seus concidadãos para falar dos temas mais importantes para nossa economia sob pena de não ser ouvida. O problema é ver os partidos não serem capazes de captar essa insatisfação para sua ação no Congresso.
Ou, como ficou mais constrangedor: não terem condições de erguer suas bandeiras nestas manifestações sob pena de também serem expulsos. E não estamos falando aqui do PSDB, mas dos partidos de esquerda que são tradicionalmente contra o governo do PT. Da mesma forma que o PT, em tese, o partido da presidente ser obrigado a “subcontratar” militantes para
levantar bandeira em manifestação em que a audiência é altamente constrangedora pela falta de legitimidade.
Esse quadro é novo e ao mesmo tempo preocupante. Assim como os movimentos ainda não foram capazes de definir um foco de reivindicação objetiva que lhe permita uma ação no
Parlamento, não há, hoje, uma proposta honesta do PSDB para a crise porque ele não conseguiu capturar a frustração dos cidadãos pelo seu comportamento ambíguo e flácido no
Congresso.
O PSDB não tem uma proposta de governo melhor porque tem medo de assumir as medidas que o governo do PT está tomando e porque teme a repercussão negativa nas ruas e na Internet.
Dito de outra forma: o PSDB não tem coragem cívica de assumir o Programa de Ajuste do Governo Dilma, que na campanha foi seu, porque teme ser criticado nas ruas e nas redes sociais.
Por outro lado, o PT insiste em manter seu programa quando em quatro anos ele fracassou. Ou alguém acha que não foi exatamente por defender as teses econômicas do PT que Dilma Rousseff afundou o país numa crise que, hoje, o governo dela não sabe como resolver sem que adote as teses do PSDB que hoje não tema coragem defendê-las?
O mais grave é que nesse quadro o Congresso Nacional simplesmente não toma conhecimento do que acontece nas ruas, ou no cyberespaço. Ele foi cuidar de sua agenda doméstica e de interesses proto-grupos que se aproveitam dessa desconexão para apresentar uma pauta que está a quilômetros dos temas de interesse da sociedade dentro desta crise.
Claro que a eleição de um personagem como Eduardo Cunha ajuda a montar uma pauta que inclui temas como regulamentação da terceirização, a redução da maioridade penal, da flexibilização do porte de armas com mudanças no Estatuto do Desarmamento e o chamado Estatuto da Família.
Rigorosamente nenhum desses temas está na ordem do dia do país. Na verdade, eles são a expressão dos interesses mais medíocres do Congresso. Mas, eles vão entrar na ordem do dia
porque interessam a grupos que não estão interessados em ter qualquer conexão com a sociedade, mas com os seus interesses diretos. Mas, o Eduardo Cunha “amarrado em nome de Jesus” põe essa pauta na ordem do dia.
Dito de outra forma: o Congresso vai por um caminho e a sociedade nas ruas e na internet vai por outro. E os partidos que poderiam defender as teses de verdadeiro interesses imediato da sociedade não se atrevem a ir às ruas ou a TV defendê-las por terem medo do feedback e de uma maior interlocução com o cidadão. Ou alguém acha que o pedido de aumento no repasse ao Fundo Partidário em 2015 de R$ 289 milhões para R$ 867,5 milhões tema ver com o momento atual?
Não se sabe se a presidente Dilma Rousseff vai à TV falar do desafio que se tornou manter o nível de empregos e da necessidade de um ajuste que vai exigir sacrifícios de todos os
brasileiros. Mas, sabemos que não terá qualquer repercussão no Congresso, que está tão interessado no 1º de maio quanto aquele trabalhador que só se interessa pela data porque, ela
sendo numa sexta-feira, vira um feriadão.
Blog do Jamildo

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