TV Centro Sul

terça-feira, 5 de maio de 2015

A crise administrativa da saúde no Ceará

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, chega hoje a Fortaleza em meio a um turbilhão político e uma crise administrativa. Há a epidemia de sarampo, o agravamento da dengue, o colapso das emergências hospitalares, os pacientes indevidamente internados nas UPAs. Em meio a tudo isso, o secretário Carlile Lavor chegou a ser dado como fora do governo. O dia foi de muitos rumores sobre sua queda. Até o fechamento da coluna, ninguém confirmava a exoneração. Embora ninguém também apostasse um vintém na manutenção. Familiares de Carlile chegaram a confirmar, ontem de manhã, que ele teria entregado o cargo.

A chegada do ministro (foto), hoje, é enxergada praticamente como intervenção federal. A razão principal é o sarampo. A situação do Ceará é atípica no País e compromete as três Américas em relação à obtenção de certificado de área livre da doença. A epidemia tem provocado péssimo clima no Governo Federal. Relatos de Brasília apontam que a presidente Dilma Rousseff (PT) tem feito cobranças a respeito ao ministro. A tendência é que pessoal do ministério seja colocado para acompanhar o trabalho aqui no Estado.

Essa interferência externa ocorre num contexto em que muitas forças políticas atuam dentro da Secretaria da Saúde. Carlile tem sido esvaziado. Quem comanda o dia a dia da pasta é o secretário executivo, Francisco Rennys. Sobralense, da cota dos Ferreira Gomes, ele é formado em Direito e tem trajetória mais voltada à área de recursos hídricos. Foi secretário da área no fim do governo Cid Gomes (Pros). Antes, foi o presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). Foi ainda diretor do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs). Outra força dentro da pasta é o secretário adjunto, Henrique Jorge Javi de Sousa, ex-presidente do poderoso Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH).

Mas não é só. Já há uma espécie de intervenção do Palácio na secretaria. O secretário da Casa Civil, Alexandre Landim, praticamente é um interventor na saúde. E o secretário da Fazenda, Mauro Filho (Pros), também fez uma espécie de intervenção nas contas do setor.

Para completar, há um grupo de conceituados médicos – entre eles o cardiologista Carlos Roberto Martins Rodrigues, o Cabeto, que chegou a ser convidado, mas não aceitou ser secretário – que atua como mais uma parte nesse jogo de forças dentro da saúde estadual. Eis o samba do crioulo doido que o ministro encontra hoje no Ceará, na esperança de debelar uma grave epidemia.

O POVO

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