TV Centro Sul

quarta-feira, 6 de maio de 2015

A impunidade estimula a selvageria nos estádios

Eram previsíveis os atos de vandalismo e violência ocorridos imediatamente após o final do jogo que decidiu o campeonato cearense de 2015. Afinal, são usuais em cada partida entre os dois grandes clubes de futebol do Ceará. Surpreendente teria sido se tudo ocorresse sem nenhum tipo de distúrbio, depredação ou conflito. 
A diferença a ser registrada é que a selvageria e o mau comportamento não se limitaram às arquibancadas. Não se deram somente em confrontos nas ruas, fora do estádio, nas imediações ou nos bairros mais distantes. Dessa vez, o gramado foi o ringue para a luta entre os malfeitores travestidos de torcedores.
A bestialidade foi transmitida ao vivo pela televisão e narrada em tempo real pelas emissoras de rádio. As imagens foram captadas por milhares de cidadãos com seus celulares. Segundos depois de ocorrerem, as cenas explícitas de estupidez já se multiplicavam em redes sociais. As imagens da barbárie ganharam o mundo.
Talvez não seja razoável culpar a estrutura de segurança pública pelo ocorrido. Caso a PM estivesse em campo, no máximo conseguiria conter a invasão no gramado. Nada impediria que os conflitos se transferissem para as arquibancadas, pelos corredores de saída do estádio, pelas imediações ou, como é usual, nos encontros periféricos das gangs rivais e uniformizadas.
Há décadas, o Brasil convive de forma complacente com tais absurdos. O saldo de somente um preso (logo liberado) após tudo o que aconteceu diz muito da incapacidade do nosso sistema de segurança para tratar de um problema que, em grande medida, já foi bem resolvido mundo afora.

Impunidade é a palavra chave para a repetição desses distúrbios e pancadarias. Os criminosos que se dedicam a essas ações sabem muito bem que absolutamente nada vai lhes acontecer. Não serão enquadrados, não vão responder pelos crimes, pelos prejuízos, não vão para cadeia, não serão banidos dos eventos esportivos e afins.
A impunidade funciona como o grande estimulante para a marginalidade que se veste com uniforme de times de futebol.
O POVO

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