terça-feira, 26 de maio de 2015

Cerveró é condenado a cinco anos de prisão

A Justiça Federal do Paraná condenou nesta terça-feira (26) o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró a cinco anos de prisão em regime fechado pelo crime de lavagem de dinheiro cometido dentro do esquema investigado pela operação Lava Jato. Além da prisão, Cerveró também teve confiscado um imóvel no Rio de Janeiro comprado por R$ 1,5 milhão. O advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, disse que irá recorrer da decisão. Cerveró sempre negou participação no esquema.

Cerveró é apontado como um dos principais articuladores do esquema de desvio de recursos da Petrobras por meio de licitações fraudulentas envolvendo empreiteiras brasileiras e empresas estrangeiras. Ele está preso preventivamente desde janeiro deste ano, quando voltava de uma viagem à Europa.

O processo no qual Cerveró foi condenado foi movido pelo MPF (Ministério Público Federal), que o acusava de ter cometido o crime de lavagem de dinheiro na compra de um imóvel no Rio de Janeiro. Segundo o MPF, o apartamento foi comprado com dinheiro oriundo do esquema investigado pela operação Lava Jato.

Segundo a sentença dada pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo caso, o tempo em que Cerveró permaneceu detido deverá ser descontado de sua sentença de cinco anos de reclusão. Moro também determinou que o imóvel confiscado seja, posteriormente, revertido para o patrimônio da Petrobras.

O advogado Edson Ribeiro se disse surpreso com a rapidez com que o juiz federal Sérgio Moro proferiu sua sentença. "Eu apresentei as alegações finais do caso ontem (25) à noite e ele já deu a sentença? Claro que vamos recorrer", disse Ribeiro.

Para Moro, ficou claro que o imóvel alvo da investigação havia sido comprado pela empresa Jolmey do Brasil, que havia comprado o apartamento, em 2009, e que posteriormente o reformou e o alugou a Cerveró por um valor abaixo do praticado no mercado.

Em seu despacho, Moro chamou Cerveró de "ganancioso". "Como diretor da Petrobras, com salário substancial (...) de R$ 815.972,87 anuais líquidos, não tinha qualquer necessidade de enveredar pelo mundo do crime, indicando ganância excessiva", afirmou Moro.
O juiz disse ainda que ainda Cerveró representa um "risco à ordem pública", uma vez que ainda não se conhece "a extensão do patrimônio do condenado, já que há indícios de que mantém parte dele oculto ou dissimulado".
Investigações
De acordo com as investigações da operação Lava Jato, Cerveró seria um "apadrinhado" do PMDB e faria parte do esquema de desvio de recursos da Petrobras. Ele atuaria juntamente com o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, que também está preso.

Apesar de negar participação no esquema, documentos mostram que Fernando Baiano visitou Cerveró 72 vezes na sede da Petrobras entre 2004 e 2008. Segundo as investigações, parte do dinheiro desviado por meio de contratos fraudulentos era repassada a partidos e políticos. Entre os partidos investigados estão o PT, PMDB e PP.

Em março de 2015, a PGR (Procuradoria Geral da República) pediu a abertura de inquérito contra 54 pessoas, entre elas senadores como o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), e deputados federais como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
 BOL

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