TV Centro Sul

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Para médicos, crise na saúde do Ceará não será resolvida com saída de secretário

O presidente da Federação Brasileira de Hospitais, Aramicy Pinto, avalia que a permanência ou a exoneração do secretário da Saúde, Carlile Lavor, não altera em nada a problemática da área no Ceará. Segundo ele, a crise é decorrente da falta de recursos federais que são insuficientes para atender à demanda.
Os recursos, principalmente os federais, segundo ele, têm de ser ampliados, porque as demandas cresceram nos últimos anos e o atendimento continua cada vez mais ineficiente, permitindo que as doenças evoluam prejudicando a cura dos pacientes.
“A população brasileira cresceu demais, continua crescendo, as pessoas estão vivendo mais e, por isso, os problemas estão acumulando”, enfatiza Pinto.
Outro que defende o aumento dos recursos para a Saúde é o ex-secretário estadual da Saúde e ex-deputado federal, João Ananias (PCdoB). Ele destaca que a saúde pública brasileira tem hoje um orçamento da ordem de R$ 80 bilhões, mas para funcionar a contento, atendendo à toda a demanda, seriam precisos pelo menos R$ 160 bilhões.
Com esse orçamento, a área chegaria a 6,5 % do PIB, mas ainda distante da proposta que é de 10 %, conforme explicou.
Para garantir o financiamento da área, Ananias defende a criação de um imposto que seria dedicado exclusivamente à saúde pública. Esse imposto, como explicou, seria a volta da CPMF ou coisa equivalente.
“Na época [a CPMF] rendia cerca de R$ 50 bilhões. O que não resolveria o problema, hoje, mas amenizaria bastante dando um bom fôlego a saúde pública”, reforça.
Ao defender a volta do imposto, Ananias diz que a cobrança afetaria somente “a parte rica da população e com um percentual de desconto muito pequeno, quase ínfimo, que seria abaixo de meio por cento do valor do cheque”.
“Não vejo outra saída para a saúde pública brasileira que não o aumento, de preferência em dobro, do financiamento que no momento está em menos da metade das necessidades”, recomenda. E enfatiza – “para resolver o problema da saúde pública brasileira é o financiamento perene, conseguido de qualquer jeito, porque, infelizmente, nós não temos isso ainda”. Falando especificamente sobre a rede pública do Ceará, o ex-secretário enfatiza que a estrutura é “muito eficiente, como hospitais regionais, policlínicas, Upas e Ceos”, mas alerta que os recursos não estão sendo suficientes para manter a qualidade do atendimento à população.

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