terça-feira, 9 de junho de 2015

Banco HSBC vai sair do Brasil

O banco britânico HSBC, afetado por vários escândalos em todo o mundo, anunciou nesta terça-feira (09) que suprimirá 50.000 postos de trabalho como parte de uma reestruturação, que inclui a venda de suas atividades no Brasil e na Turquia.
O diretor geral do HSBC, Stuart Gulliver, apresentou nesta terça-feira (09) o plano do banco aos investidores em Londres e falou de uma mudança "significativa".
"Reconhecemos que o mundo mudou e precisamos mudar com ele. Por isto, apresentamos 10 medidas estratégicas que transformarão ainda mais a nossa organização", afirmou.
O HSBC prevê eliminar quase 10% do número de funcionários, entre 22.000 e 25.000 empregos, segundo um plano divulgado em seu site. Além deste número, outros 25.000 postos de trabalho devem ser suprimidos com a venda de suas atividades no Brasil e na Turquia.
O banco tem mais de 21.000 empregados no Brasil e mais de 850 agências no país. Tudo isto ficará reduzido a "uma presença para atender as necessidades internacionais dos grandes clientes corporativos".
O HSBC fechará várias agências ao redor do mundo, acelerará o processo das transações e vai deslocar milhares de postos de trabalho para países "de baixo custo e alta qualidade" de mão de obra, informou o banco.
A decisão é parte da meta de "reduzir os custos em algo entre 4,5 e 5 bilhões de dólares anuais até 2017", segundo uma nota enviada à Bolsa de Hong Kong.

- Abalado por escândalos -


O maior banco da Europa sofreu uma queda no lucro líquido em 2014 por culpa, principalmente, das multas colossais que recebeu por várias irregularidades, sobretudo no Reino Unido e nos Estados Unidos.
O escândalo mais conhecido é o conhecido como "Swissleaks", que consistiu no uso da filial do banco na Suíça por milhares de clientes, incluindo muitas personalidades, para evitar o pagamento de impostos em seus países. 
O caso explodiu no fim de 2008, quando o ex-funcionário do HSBC Hervé Falciani entregou arquivos digitas da filial suíça às autoridades francesas, que compartilharam o material com vários países, que abriram as próprias investigações e que poderiam acabar levando o banco aos tribunais, o que acontecerá na França.
Antes, em 2012, o banco teve que pagar uma multa de quase dois bilhões de dólares nos Estados Unidos por ter permitido transferências de clientes supostamente vinculados ao narcotráfico no México e ao terrorismo no Oriente Médio.

- Voltar a Hong Kong - 

Outro anúncio desta terça-feira é o de que o HSBC pretende "acelerar os investimentos na Ásia", em particular no sul da China e no sudeste do continente, "para captar oportunidades de crescimento futuro e adaptar-se às evoluções estruturais" do mercado bancário.
Gulliver anunciou que até o fim de 2015 o banco deve completar a análise sobre sua sede, o que pode representar o retorno a Hong Kong após alguns anos em Londres, em Canary Wharf.
A regulamentação bancária mais rígida no Reino Unido pode provocar a mudança, admitiu a instituição em abril. 
"Não há futuro para os grandes bancos internacionais na Europa e nos Estados Unidos, não importa que cortem gastos", afirmou à AFP o analista financeiro Francis Lun.
"Os governos destas duas regiões sofreram grandes perdas durante o tsunami financeiro e querem ficar quites com os bancos", completou.
O HSBC foi fundado em 1865 em Hong Kong pelo escocês Thomas Sutherland como Hong Kong & Shanghai Banking Corporation para financiar o comércio no Extremo Oriente, que na época tinha o ópio como uma de suas principais fontes de riqueza.
NE10

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