quarta-feira, 10 de junho de 2015

Maioridade penal une PT e PSDB

Para tentar fechar uma posição de consenso a respeito do apoio ou não à redução da maioridade penal, o PSDB vai se reunir hoje, em Brasília. O presidente do partido e senador Aécio Neves (MG) estará no encontro, convocado para que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, explique melhor sua proposta de aumentar o tempo de internação de três para oito anos para menores infratores que cometeram crimes hediondo. Tentando impor uma derrota ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que quer pautar a redução da maioridade de 18 para 16 anos na semana que vem no plenário, até a presidenta Dilma Rousseff quer encontrar Alckmin para pensar em proposta alternativa. 
A bancada do PSDB está dividida e reticente quanto à redução da maioridade penal e uma eventual “união” com o PT. Além dessas arestas, o partido também discutirá mudanças na forma de atuação no Congresso. 
Em reunião com ministros ontem no Palácio do Planalto, a presidenta defendeu o diálogo com Alckmin, de acordo com o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Edinho Silva. “A posição do governo da presidente Dilma é que todas as agendas de interesse nacional, que sejam importantes para o país, não interessa a liderança que defenda, não interessa o partido que defenda, tudo aquilo que for importante para o Brasil o governo da presidente Dilma quer dialogar. E o Alckmin apresentou uma proposta ao país”, disse Edinho, que manifestou mais uma vez a disposição do governo em apresentar projeto de lei que endureça a punição contra adultos que usarem menores para cometer crimes. 
Petistas e tucanos aprovaram a possível “união” para debater o tema da redução da maioridade penal. “O Eduardo Cunha passa como um rolo compressor quando a pauta lhe interessa, como é o caso. É uma votação sem nenhuma discussão”, afirmou Wadih Damous (PT-RJ). “É difícil achar um denominador comum, mas é preciso pensar em outra proposta. Só reduzir não é a saída”, declarou Otavio Leite (PSDB-RJ). 
O PSDB entrou em crise depois de alguns tucanos terem votado a favor do fim da reeleição, aprovada durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Integrantes do partido falam em uma divisão entre “antigos” e “novos” políticos do PSDB: a ala mais velha, capitaneada por FHC e pelo vice-presidente nacional, Alberto Goldman, não aceita a votação contrária de tucanos ao fim do fator previdenciário e o voto favorável ao “distritão”, proposta derrubada que iria alterar o sistema eleitoral brasileiro.

O DIA

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