sexta-feira, 19 de junho de 2015

O Brasil e os atos de violência na Venezuela

É típica do autoritarismo a forma hostil como comitiva de senadores brasileiros foi recebida ontem em Caracas, na Venezuela. O carro que transportava o grupo, que está em visita oficial, chegou a ser perigosamente cercado por dezenas de militantes chavistas, que entoaram palavras de ordem e deram tapas na lataria do ônibus, que também transportava esposas de políticos venezuelanos presos. A comitiva se dirigia ao presídio onde está encarcerado o líder oposicionista Leopoldo Lopez. O ocorrido foi o início da visita cujo objetivo é verificar a situação dos presos políticos no País, pressionar pela libertação dos mesmos e reivindicar a manutenção das eleições parlamentares previstas para 2015. O calendário eleitoral da Venezuela prevê a realização do pleito para este ano, mas as datas não foram nem sequer definidas. 
No início de maio, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o governo brasileiro está buscando “incansavelmente” uma solução para a crise política na Venezuela e disse estar insistindo com o governo de Nicolas Maduro na convocação de eleições parlamentares “no menor prazo possível”. O episódio de ontem demonstra bem que a determinação do presidente Nicolas Maduro caminha em sentido contrário ao desejo expressado pelo chanceler brasileiro. Se um grupo de senadores do Brasil, em comitiva oficial aprovada pelo Senado, é recebido dessa forma naquele País, é possível imaginar como os opositores do presidente são tratados internamente.
Como maior potência da América Latina, o Brasil tem papel fundamental no desenrolar dos acontecimentos no País vizinho. Mesmo com o repúdio veemente aos acontecimentos de ontem, não devemos esquecer que o Brasil tem sido conivente com os constantes atos de desrespeito às liberdades individuais, de expressão e de imprensa verificados na Venezuela. Cabe ao Brasil uma atitude clara e firme quanto à necessidade de se instalar na Venezuela o processo de reestruturação das liberdades democráticas, com eleições livres e a fiscalização de entidades internacionais, como a OEA e a ONU.
O POVO

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