TV Centro Sul

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Escândalos de corrupção derrubam imagem de Lula e PT no Recife

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Por Jamildo Melo, editor do Blog
A pesquisa do Instituto Maurício de Nassau sobre o perfil do novo eleitor brasileiro mostra o estrago dos escândalos de corrupção sobre a imagem do ex-presidente Lula, na capital pernambucana, dois anos antes das eleições presidenciais de 2018.
De acordo com o levantamento, embora Lula ainda seja o político brasileiro que o recifense mais admira, com 21,2% das citações, na frente do ex-governador Jarbas Vasconcelos, com 6,3% das citações, o ex-presidente também lidera a lista quando o eleitor é perguntado sobre os políticos que eles já admiraram. Neste ponto, Lula é lembrado por 36,2% das citações. O ex-governador Eduardo Campos aparece logo em seguida, com 21,4% das menções.
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A pesquisa foi realizada no final da semana passada, antes portanto de o eleitor tomar conhecimento da prisão do ex-ministro José Dirceu e sobre a gravidade da extensão da cobrança de propinas também das empresas prestadoras de serviços na Petrobras. Lula costumava chamar Dirceu de capitão de sua equipe, antes de ser obrigado a demiti-lo, após o escândalo do Mensalão. Na mesma pesquisa da Nassau, por sinal, a Polícia Federal é a segunda mais lembrada entre as instituições, logo atrás dos bombeiros, na esfera das prisões em cadeia nacional.
Em passado recente, os analistas políticos afirmavam que o presidente Lula era como teflon, em que nada de ruim colava. Chegou-se a cunhar a expressão lulismo, para designar uma tal admiração de quem não era necessariamente integrante do petismo. Os dados da pesquisa mostram que ambos sofrem os efeitos da Operação Lava Jato, tanto a agremiação política como o ex-presidente.
Além das revelações dos casos de corrupção, a imagem do ex-presidente pode estar sendo afetada pela gestão da sucessora. Como foi fiador da reeleição de Dilma, o eleitor pode estar colocando na sua conta a queda na popularidade da presidente. Não por acaso, há uma série de indicadores neste sentido.
94,2% dos entrevistados reclamam que hoje há mais violência que no passado, embora 81% concorde que as pessoas tem mais acesso à educação pública que no passado. 53% concorda que hoje temos menos pobre no Brasil do que no passado, mas 58% discordam que a vida econômica do povo brasileiro está melhor do que no passado. Só 39,9% concorda com a avaliação. Não é só. 72,5% discordam que a saúde pública está melhor do que no passado.
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PT – Além de Dilma e Lula, também o PT como agremiação perdeu admiradores com a crise econômica e política. De acordo com o levantamento da Nassau, dos 54,7% dos entrevistados que admitiram já ter admirado um partido no passado, a maior parte cita do PT, com 17,6% das citações. Os tucanos aparecem em segundo lugar, com 11,3% das citações.
Em Pernambuco, a reação negativa ao PT não se trata de fenômeno novo. Nas eleições estaduais, o PT não conseguiu fazer nenhum deputado federal em Pernambuco. Toda a bancada federal foi aniquilada, enquanto o PSB, na esteira da morte de Eduardo Campos, ampliou a participação no Câmara dos Deputados.
Um dado curioso do levantamento fala do crescimento do apoio à liberdade de imprensa, em oposição clara ao discurso petista que tenta classificar a “mídia golpista” como instrumento da oposição. 92% dos entrevistados dizem que hoje a imprensa divulga mais casos de corrupção que no passado. Só 6,1% discorda. Mais: Para 90%, hoje existe mais corrupção que no passado. 92,8% discordam que hoje os políticos sejam mais honestos que no passado. Na eleição presidencial, Dilma esposou o discurso de que o PT não jogava a corrupção para debaixo do tapete como os tucanos e a PF tinha liberdade para trabalhar.
Nesta semana, o jornal O Globo revelou um trecho da defesa da Petrobras em uma ação que corre na Justiça americana, instaurada por investidores que se sentiram lesados pelo esquema de corrupção da Petrobras. Ao ser cobrada sobre os anúncios que veiculava falando de governança, falando de transparência, falando de retidão, dos instrumentos modernos de governança que utilizava, ao ser instada pelo juiz a dizer porque não cumpriu isso, o advogado da Petrobras disse simplesmente que isso era uma peça de propaganda, não era para levar a sério. Quem sabe o mesmo esteja ocorrendo com o mito nordestino e com o partido da ética. Simplesmente, o eleitor já não esteja levando a sério.
Blog do Jamildo

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